terça-feira, 2 de março de 2010

Piedade

Moscas vestidas de noite
zanzam sem asas
pelos interstícios da Piedade.
Parecem invisíveis;
Não zoam, não zombam...
Estão mudas.
Logo ali, do outro lado da noite
vagalumes transitam
sem suas lâmpadas,
enquanto a claridade
interrompe o olhar.
Cegos estão; cegos permanecem.
Os gritos da praça parecem surdos
diante dos raspões de vento
que rasgam o asfalto quente.
As madrugadas correm pelas valas
sem vírgulas sem pontos
enquanto os sonhos
divididos entre moscas e vagalumes,
vagam soltos,
desencaixados.
Sem luz.
Sem asas.